Soluções Industriais

Arco submerso para soldagem

A soldagem por arco submerso (SAW, do inglês Submerged Arc Welding) é um processo a arco elétrico no qual o arco permanece submerso sob uma camada de fluxo granular que protege a poça de fusão do ar, não emite radiação visível nem respingos e estabiliza a fusão. Identificado pelo número de referência 121 na ABNT NBR ISO 4063, é um dos processos de maior produtividade em soldagem mecanizada, operando com alimentação contínua de arame maciço ou tubular, predominantemente na posição plana e horizontal.

O desempenho do arco submerso depende de variáveis interligadas: corrente e tensão do arco, velocidade de soldagem, tipo e granulometria do fluxo, diâmetro do arame e a extensão livre do eletrodo (stick-out). Essas variáveis definem o aporte térmico e a taxa de deposição — que pode superar 15 kg/h em configurações tandem, muito acima dos processos manuais de solda pesada. A polaridade (CC+ para maior penetração, CC- para maior taxa de deposição) e o uso de corrente alternada em arranjos de múltiplos arames completam o ajuste do processo.

Como o arco submerso é largamente empregado em juntas de responsabilidade estrutural e em equipamentos sob pressão, a execução exige procedimento de soldagem qualificado (WPS/PQR) conforme a ASME Seção IX ou a ISO 15614-1, com soldadores e operadores qualificados pela ISO 9606-1. Vasos de pressão, caldeiras e tubulações enquadrados na NR-13 demandam acompanhamento de Profissional Legalmente Habilitado e inspeção por ensaios não destrutivos, e a especificação de consumíveis e parâmetros deve ser validada por engenheiro de soldagem ou inspetor certificado.

Na Soluções Industriais, marketplace B2B com mais de 50 mil fornecedores cadastrados, mais de 250 mil produtos no catálogo e 3 milhões de negócios intermediados, o comprador compara cotações em três passos. Primeiro pesquisa o produto na plataforma, depois cota e recebe respostas de fornecedores com orçamentos alinhados às exigências técnicas, e por fim compara as opções para escolher a solução ideal para o negócio. O processo é gratuito para o comprador, conecta-o aos fornecedores adequados em até 24 horas e cobre cotações comparativas com confiança e segurança em uma única plataforma.

Arco submerso para soldagem

Aviso de segurança. A soldagem por arco submerso é aplicada em juntas estruturais e em equipamentos sob pressão: procedimentos (WPS/PQR) devem ser qualificados pela ASME Seção IX ou ISO 15614-1 e os operadores pela ISO 9606-1. Vasos de pressão, caldeiras e tubulações enquadrados na NR-13 exigem acompanhamento de Profissional Legalmente Habilitado e inspeção por ensaios não destrutivos; especificação de consumíveis e parâmetros deve ser validada por engenheiro de soldagem ou inspetor certificado.

O que é a soldagem por arco submerso e como funciona

No processo SAW, o arco é aberto entre o arame-eletrodo e a peça sob uma camada de fluxo granular alimentada continuamente à frente da soldagem. Parte do fluxo funde e forma uma escória protetora que refina a poça, adiciona elementos de liga e controla o formato do cordão; o fluxo não fundido é recuperado e reaproveitado. Por ficar coberto, o arco tem alta eficiência térmica e não expõe o operador à radiação, o que permite correntes muito elevadas — de algumas centenas até mais de 1.000 A — e, com isso, penetração profunda e deposição intensa.

  • Alta produtividade e penetração, ideal para chapas médias e espessas.
  • Ausência de respingos e de radiação visível; ambiente de trabalho mais limpo.
  • Restrito, na prática, às posições plana e horizontal (o fluxo precisa cobrir a poça).
  • Processo mecanizado ou automatizado, não manual.

Equipamentos e configurações do arco submerso

Uma célula de arco submerso combina fonte de energia (retificador CC ou fonte CA/CC de alta corrente), sistema de alimentação de arame, cabeçote de soldagem com bico e alimentador de fluxo, e o meio de deslocamento — coluna e lança, trator autopropelido sobre a peça, ou posicionadores e viradores para costuras circunferenciais. Configurações multi-arame (twin e tandem) elevam a taxa de deposição e a velocidade, mas exigem controle sincronizado de corrente e polaridade. Sistemas de recuperação de fluxo por vácuo reduzem desperdício e são relevantes no custo operacional de linhas de alta produção.

  • Arame único: base para a maioria das juntas.
  • Twin wire (dois arames na mesma poça): mais deposição sem grande aumento de energia.
  • Tandem (dois ou mais arcos em série): máxima velocidade em costuras longas.
  • Trator vs coluna-e-lança vs bancada com posicionador, conforme a geometria da peça.

Arames e fluxos: como especificar os consumíveis

A qualidade do cordão nasce do par arame + fluxo, não do arame isolado. Os arames maciços de aço carbono seguem a AWS A5.17 (e a ISO 14171), enquanto os de baixa liga com Mo, Ni ou Cr seguem a AWS A5.23 — obrigatórios em aços de alta resistência e em componentes que verão temperaturas negativas, como a costura longitudinal de um tanque criogênico. Os fluxos são classificados pela ISO 14174 e se dividem em fundidos (mais estáveis e menos higroscópicos) e aglomerados (permitem alta basicidade e adição de liga). Quanto maior a basicidade do fluxo, melhor a tenacidade do metal depositado — critério decisivo em vasos de pressão. Fluxos aglomerados exigem ressecagem controlada antes do uso para evitar hidrogênio difusível.

Consumível / tipoNorma de referênciaCaracterística-chaveAplicação recomendada
Fluxo fundidoISO 14174Baixa higroscopicidade, arco estávelAlta velocidade, chapas finas a médias
Fluxo aglomerado básicoISO 14174Alta basicidade, boa tenacidade a baixa temperaturaVasos de pressão e serviços críticos
Arame maciço C-MnAWS A5.17 / ISO 14171Aço carbono, econômicoEstruturas soldadas e tubos
Arame maciço de baixa ligaAWS A5.23Adição de Mo/Ni/CrAços de alta resistência e criogênicos
Arame tubular (metal-cored)AWS A5.17 / A5.23Maior taxa de deposiçãoRevestimento e recuperação de superfície

Onde o arco submerso é aplicado por setor

O processo domina a fabricação de tubos de grande diâmetro (costuras longitudinal e espiral), vasos de pressão, caldeiras e trocadores, tanques de armazenamento e componentes estruturais pesados soldados conforme a AWS D1.1. Em fabricação de cilindros e cascos, o cordão de arco submerso costuma vir logo após o serviço de calandra que conforma a chapa em virola, unindo a costura longitudinal em uma única passada ou em passe/contrapasse. Também é amplamente usado em revestimento duro (hardfacing) e cladding para recuperar ou proteger superfícies sujeitas a desgaste e corrosão, como rolos, eixos e equipamentos de mineração.

  • Óleo, gás e petroquímica: tubos, vasos e tubulações (referência Petrobras N-133).
  • Caldeiraria e geração: caldeiras e trocadores sob NR-13.
  • Estrutura metálica pesada: perfis soldados e pontes conforme AWS D1.1.
  • Manutenção industrial: recuperação e revestimento anti-desgaste.

Como dimensionar parâmetros: aporte térmico e deposição

Especificar arco submerso é equilibrar produtividade e propriedades mecânicas. Corrente alta aumenta penetração e deposição, mas eleva o aporte térmico e engrossa a zona termicamente afetada, reduzindo tenacidade — por isso aços temperados e revenidos e componentes que verão baixa temperatura têm faixa máxima de aporte definida no WPS. Uma regra prática de partida: quanto maior o diâmetro do arame, mais corrente ele suporta, porém menor a densidade de corrente e a penetração relativa. Em perfis estruturais como uma viga galvanizada feita de chapa soldada, prioriza-se velocidade e enchimento; em vaso de pressão, prioriza-se controle de aporte e tenacidade. Sempre confirme número de passes, pré-aquecimento e temperatura de interpasse contra o procedimento qualificado.

  • CC+ para maior penetração; CC- e twin/tandem para maior deposição.
  • Aporte térmico controlado onde a tenacidade e a ZTA são críticas.
  • Pré-aquecimento e interpasse definidos por espessura e material.
  • Validar sempre com ensaio de procedimento (PQR) antes da produção.

Modos de falha e erros comuns de especificação

A maior parte dos defeitos em arco submerso vem de fluxo ou junta mal preparados, não da máquina. Fluxo aglomerado úmido é a causa clássica de porosidade e de trincas induzidas por hidrogênio — ressecagem e armazenagem em estufa são inegociáveis. Aporte térmico excessivo gera cordão largo, mordeduras e perda de tenacidade na ZTA; corrente insuficiente causa falta de fusão e penetração incompleta em chanfros estreitos. Escória aprisionada entre passes surge quando a remoção é falha em juntas multipasse. Erros de especificação frequentes incluem escolher arame sem casar com o fluxo (perde-se controle de liga), ignorar a exigência de baixa temperatura ao usar arame C-Mn onde caberia baixa liga, e não prever recuperação de fluxo, o que dispara o custo em produção longa.

  • Porosidade e trinca por hidrogênio: fluxo úmido ou sem ressecagem.
  • Mordedura e baixa tenacidade: aporte térmico alto demais.
  • Falta de fusão: corrente baixa em chanfro estreito.
  • Inclusão de escória: limpeza deficiente entre passes.

O que define o preço e checklist de cotação

No arco submerso há três cotações possíveis: comprar/automatizar o equipamento (fonte, cabeçote, trator, posicionador e recuperação de fluxo), comprar consumíveis por lote (arame em bobinas e fluxo em sacos), ou contratar o serviço de soldagem qualificado. O preço do equipamento é movido por corrente máxima, número de arames (twin/tandem custa mais), grau de automação e sistema de recuperação. O consumível é movido por classe do arame (baixa liga custa mais que C-Mn), tipo de fluxo (aglomerado básico acima do fundido comum) e volume. No serviço, pesam espessura, material, extensão de solda, exigência de ensaios não destrutivos e a norma aplicável. Reúna os dados abaixo para qualificar o orçamento e comparar fornecedores na mesma base.

  • Material e espessura das chapas e tipo de junta/chanfro.
  • Norma exigida (ASME, AWS D1.1, NR-13, Petrobras N-133) e nível de qualidade.
  • Extensão total de solda ou nº de peças e produtividade esperada.
  • Consumível desejado (classe AWS do arame e tipo de fluxo).
  • Ensaios não destrutivos requeridos e documentação (WPS/PQR, certificados).

O que só a Soluções Industriais entrega neste nicho

  • Cotação simultânea dos três eixos do processo: máquina/cabeçote, consumíveis e serviço qualificado.
  • Comparação de taxa de deposição (kg/h) entre arame único, twin e tandem para justificar investimento.
  • Seleção de fluxo por basicidade quando o requisito é tenacidade a baixa temperatura em vasos NR-13.
  • Diferenciação entre orçar equipamento novo, usado ou automatizar linha com trator e recuperação de fluxo.
  • Checklist de dados para orçar: espessura, material, norma exigida, tipo de junta e ensaios não destrutivos.
  • Fornecedores de revestimento duro e cladding por arco submerso, além de soldagem de costura.
  • Vínculo entre a escolha de consumível AWS A5.17/A5.23 e a qualificação do procedimento de soldagem.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre arco submerso e MIG/MAG ou eletrodo revestido?

No arco submerso o arco fica coberto por fluxo granular, o que permite correntes muito maiores, penetração profunda e deposição acima de 10-15 kg/h, sem respingos nem radiação. É mecanizado e restrito às posições plana e horizontal, ao contrário do MIG/MAG e do eletrodo revestido, que são mais versáteis em posição mas de menor produtividade.

Em que posições o arco submerso pode soldar?

Praticamente só nas posições plana e horizontal, porque o fluxo granular precisa cobrir a poça de fusão pela ação da gravidade. Costuras circunferenciais são feitas girando a peça em posicionadores para mantê-la sempre na posição plana.

Como escolho entre fluxo fundido e aglomerado?

Fluxo fundido, classificado pela ISO 14174, é mais estável e menos higroscópico, bom para alta velocidade. Fluxo aglomerado permite alta basicidade e adição de liga, entregando melhor tenacidade — preferível em vasos de pressão e serviços a baixa temperatura, desde que ressecado antes do uso.

Arco submerso solda aço inox e alumínio?

Solda aços inoxidáveis com arames e fluxos específicos, muito usado em revestimento (cladding) inox sobre aço carbono. Não é aplicável a alumínio, cuja soldagem exige processos como TIG e MIG por causa da camada de óxido e da condutividade térmica.

É possível fazer revestimento duro por arco submerso?

Sim. O SAW é amplo em hardfacing e cladding para recuperar e proteger superfícies contra desgaste e corrosão, usando arames tubulares de alta deposição e fluxos ligados. É comum em rolos, eixos e equipamentos de mineração.

Preciso qualificar procedimento e soldador para usar arco submerso?

Sim, para juntas de responsabilidade. O procedimento (WPS) deve ser qualificado por ensaio (PQR) conforme ASME Seção IX ou ISO 15614-1, e os operadores pela ISO 9606-1. Em vasos e caldeiras sob NR-13, há ainda inspeção por ensaios não destrutivos e acompanhamento de profissional habilitado.

Vale mais comprar a máquina ou contratar o serviço de soldagem?

Depende do volume recorrente. Para produção contínua de costuras longas (tubos, vasos, estruturas), o investimento em cabeçote, trator e recuperação de fluxo se paga em produtividade. Para demandas pontuais ou sem procedimento qualificado interno, contratar fornecedor com WPS/PQR e mão de obra certificada costuma ser mais econômico.

Qual a espessura indicada para arco submerso?

O processo brilha em chapas médias e espessas, tipicamente acima de cerca de 6 mm, onde a alta penetração e deposição compensam. Em chapas muito finas, o elevado aporte térmico tende a perfurar ou distorcer, sendo mais adequados processos de menor energia.

Solicitar orçamento gratuito

Para obter cotações comparativas de arco submerso, informe a especificação técnica completa, o volume estimado, o prazo de entrega aceitável e a região. Em até 24 horas você recebe propostas alinhadas ao perfil técnico e comercial da sua operação. O serviço da Soluções Industriais é gratuito para o comprador e dá acesso direto a mais de 50 mil fornecedores cadastrados no marketplace, com possibilidade de comparar múltiplas opções em poucos cliques.

Página revisada pela equipe técnica de Soldagem e Corte da Soluções Industriais. Última revisão: 12 de julho de 2026. Conteúdo elaborado com base nas normas técnicas brasileiras vigentes e em referências de fabricantes homologados no marketplace.

Soluções Industriais — marketplace B2B ativo desde 2014, com mais de 50 mil fornecedores, 250 mil produtos e 3 milhões de negócios intermediados. Operado por DSW Soluções Digitais LTDA, CNPJ 14.777.835/0001-67.

Fontes técnicas citadas: ABNT NBR ISO 4063, AWS A5.17, AWS A5.23, ISO 14171, ISO 14174, ASME Seção IX, ISO 15614-1, ISO 9606-1, AWS D1.1, NR-13.