Bota de segurança
Aviso de segurança. Bota de segurança é EPI de proteção contra riscos que podem causar lesão grave ou permanente. Todo modelo deve possuir Certificado de Aprovação (CA) válido do Ministério do Trabalho, conforme a NR-6, e atender à ABNT NBR ISO 20345. A especificação e a distribuição do EPI devem seguir o laudo do PGR e a orientação do SESMT ou de profissional de segurança do trabalho habilitado (técnico ou engenheiro de segurança), nunca só o preço.
O que torna uma bota de segurança legal: CA, NR-6 e NBR ISO 20345
Uma bota só é EPI válido quando reúne três coisas: projeto conforme a ABNT NBR ISO 20345:2022 (calçado com biqueira de proteção) ou a NBR ISO 20347 (calçado ocupacional sem biqueira), ensaio pela ABNT NBR ISO 20344 e, principalmente, o Certificado de Aprovação (CA) impresso no par e vigente. A NR-6 obriga o empregador a fornecer o EPI gratuitamente, exigir o uso, higienizar, substituir quando danificado e registrar a entrega. Comprar bota sem CA, ou com CA vencido, invalida a proteção jurídica e técnica, mesmo que o produto pareça idêntico ao aprovado.
- CA impresso no calçado e ativo na consulta do Ministério do Trabalho.
- Marcação da classe (ex.: S3) e das propriedades (A, E, P, HRO, SRC) na lingueta ou sola.
- Ficha de entrega assinada — exigência de fiscalização e defesa em ação trabalhista.
Classes SB, S1, S1P, S2 e S3: o que cada uma entrega
A classificação da NBR ISO 20345 empilha propriedades: quanto maior a classe, mais requisitos. SB é a base (só biqueira 200 J). S1 acrescenta antiestático, absorção no salto e área do tornozelo fechada; S1P soma palmilha antiperfuro (P). S2 adiciona resistência à penetração de água no cabedal (WRU); S3 é a mais completa para uso pesado — inclui antiperfuro, WRU e solado com relevo. A revisão de 2022 criou ainda S3S e S3L com antiperfuro têxtil e escala de antiderrapância. Escolher a classe é o primeiro filtro técnico do orçamento; pedir S3 onde bastaria S1 encarece a frota sem ganho de proteção.
| Classe | Biqueira 200 J | Antiestático (A) | Absorção salto (E) | Antiperfuro (P) | Impermeável (WRU) | Aplicação típica |
|---|---|---|---|---|---|---|
| SB | Sim | Não | Não | Não | Não | Ambiente seco, risco só de impacto |
| S1 | Sim | Sim | Sim | Não | Não | Indústria seca, montagem, logística |
| S1P | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Metalurgia seca com risco de perfuração |
| S2 | Sim | Sim | Sim | Não | Sim | Alimentício e áreas úmidas leves |
| S3 | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Construção, obra e ambiente severo |
Biqueira: aço, composite ou alumínio — qual escolher
As três biqueiras aprovam nos 200 J, mas trocam custo por conforto e função. O aço é o mais barato e resistente à abrasão, porém pesa mais, conduz frio e calor e apita em detector de metal — ruim em aeroporto, área de raio-X e certas linhas de alimentos. O composite (fibra de vidro/polímero) é não metálico, mais leve (reduz fadiga em jornada de pé), não conduz temperatura e passa em portais de detecção, mas costuma custar de 15% a 40% mais e ocupa um pouco mais de volume na ponteira. O alumínio fica no meio: leve e metálico. A regra prática é: composite para conforto térmico, detecção de metal ou eletricista; aço quando o critério é custo e abrasão severa.
- Aço: menor custo, maior resistência à abrasão, conduz temperatura e detecta metal.
- Composite: leve, não metálico, isolante térmico — ideal para câmara fria e áreas com detector.
- Alumínio: leve e metálico, meio-termo de preço.
Solado por ambiente: PU, nitrílico HRO, borracha e PVC
O solado define aderência, isolamento e limite de temperatura. O PU bidensidade domina o mercado por ser leve, absorver impacto e ter bom custo, mas amolece por volta de 60–70 °C e não deve pisar respingo quente. Para fundição, solda e siderurgia use solado de borracha nitrílica com marcação HRO, que suporta contato de 300 °C por 60 segundos. Bota inteira de PVC ou borracha (branca) atende frigorífico e limpeza por ser impermeável e lavável. Independentemente do material, confira a antiderrapância: SRA testa piso cerâmico com detergente, SRB piso de aço com glicerol e SRC as duas condições — em cozinha, laticínio e área oleosa, exija SRC.
| Solado | Limite térmico | Antiderrapância | Ambiente indicado |
|---|---|---|---|
| PU bidensidade | Até ~60–70 °C | SRC comum | Indústria geral, logística, montagem |
| Nitrílico HRO | Contato 300 °C/60 s | SRA/SRC | Fundição, solda, siderurgia |
| Borracha / PVC | Impermeável | SRA/SRC | Frigorífico, alimentício, lavagem |
| PU + dielétrico | Isolação elétrica | SRC | Eletricista e manutenção energizada |
Palmilha antiperfuro: lâmina de aço x têxtil de aramida
A proteção contra perfuração (propriedade P) vem em dois formatos e cada um falha de um jeito. A palmilha de aço resiste a mais força pontual, mas é rígida, não cobre toda a área da sola (deixa uma faixa nas bordas), conduz temperatura e some no detector de metal. A palmilha têxtil de aramida (tipo Kevlar) é flexível, leve, isolante e cobre praticamente 100% da planta do pé — protege contra pregos finos que passariam pela borda do aço —, porém pode custar mais e ter limite menor de penetração em objetos de ponta muito fina. Em obra com entulho e pregos, a área de cobertura da têxtil costuma valer o prêmio; onde o risco é objeto grosso e pontual, o aço basta.
Propriedades complementares além da classe: M, HI, CI, WR e FO
Além da classe (SB a S3), a ABNT NBR ISO 20345:2022 define marcações adicionais que respondem a riscos específicos do posto e alteram preço e indicação. Elas aparecem gravadas junto à classe e devem constar do laudo do PGR para o orçamento sair correto de primeira.
- M – proteção metatarsal: reforço sobre o peito do pé contra queda de peça pesada; usual em fundição, siderurgia e movimentação de cargas.
- HI – isolamento ao calor: conjunto que limita a transmissão de calor por contato (ensaio a 150 °C por 30 min), para pisos e chapas quentes.
- CI – isolamento ao frio: barreira térmica contra baixa temperatura (ensaio a −17 °C por 30 min), para câmara fria e trabalho externo no inverno.
- WR – impermeabilidade do calçado inteiro: diferente do WRU (só o cabedal), o WR resiste à penetração de água em toda a bota, para piso alagado.
- FO – resistência do solado a óleo combustível: evita a degradação química do solado em oficinas, postos e indústria química.
- AN – proteção do tornozelo e CR – cabedal resistente a corte: reforços para movimentação intensa e uso de ferramentas cortantes.
Pedir marcações que o posto não exige encarece a frota sem ganho real; omitir a marcação certa — por exemplo, M onde há queda de peça sobre o peito do pé — deixa uma lacuna de proteção mesmo com a classe alta.
Como escolher a bota por setor de trabalho
O risco predominante do posto decide a especificação. Na construção civil, o padrão é S3 com biqueira, antiperfuro e solado agressivo (NR-18). Em frigoríficos e abatedouros regidos pela NR-36, é comum a botina branca de PVC impermeável, associada a uniformes profissionais e, nas áreas de manipulação, a roupas descartáveis em TNT para higiene. Eletricistas e manutenção energizada exigem calçado dielétrico com CA de isolação elétrica (NR-10) e biqueira não metálica. Na indústria química, priorize cabedal e solado resistentes a óleo e produtos (FO/resistência química). Em siderurgia e fundição, HRO e proteção metatarsal (M) contra respingo e queda de peça sobre o peito do pé.
- Construção (NR-18): S3, antiperfuro, solado com relevo.
- Frigorífico (NR-36): PVC/borracha branca, impermeável, SRC.
- Eletricista (NR-10): dielétrica, biqueira composite, CA de isolação.
- Fundição/solda: nitrílico HRO e proteção metatarsal (M).
Numeração, forma e ajuste: como reduzir devolução na compra por frota
Boa parte das trocas em pedidos corporativos não é por defeito, e sim por tamanho e forma errados. A numeração brasileira segue a escala EUR de cada fabricante, e cada marca tem uma forma (largura) própria — a curva de um fornecedor nem sempre corresponde à de outro. Antes de fechar a frota, peça um par-piloto por numeração e valide o ajuste com o próprio usuário.
- Prove o calçado no fim do expediente, quando o pé está mais dilatado, e com a meia técnica que será usada no posto.
- Deixe cerca de um dedo de folga na ponta; a biqueira rígida não cede com o uso, diferente do cabedal.
- Confira largura/forma para pés largos ou para quem usa palmilha ortopédica prescrita.
- Registre a curva de numeração real (quantidade por tamanho) — é o dado que mais acelera o reorçamento e a reposição.
Fatores de preço e checklist de cotação B2B
Não existe preço único de bota de segurança: o valor sobe com cabedal em couro hidrofugado ou microfibra técnica, biqueira composite, solado HRO ou dielétrico, palmilha de aramida e propriedades extras (M, WR, HI/CI). O maior movedor em compra corporativa, porém, é o volume — curvas de numeração fechadas e pedidos por frota derrubam o preço unitário. Para cotar rápido com vários fornecedores, reúna os dados abaixo; quanto mais completo o pedido, mais preciso o orçamento e menor a chance de devolução por forma ou classe errada.
- Classe exigida pelo PGR (SB a S3) e propriedades (P, HRO, M, dielétrica).
- Curva de numeração e quantidade por tamanho.
- Material do cabedal e do solado + antiderrapância mínima (SRA/SRB/SRC).
- Setor e normas aplicáveis (NR-10, NR-18, NR-36).
- Exigência de CA ativo e prazo de entrega/reposição.
CA, validade, troca e vida útil na gestão de EPI
O Certificado de Aprovação tem prazo de validade próprio e pode ser renovado ou revogado; comprar lote grande de um CA prestes a vencer complica a reposição. A vida útil da bota, porém, não é o prazo do CA e sim o desgaste real: solado com relevo apagado (perde antiderrapância), biqueira exposta, cabedal rasgado ou palmilha comprometida obrigam troca imediata, independentemente do tempo de uso. Uma gestão saudável estima reposição anual por posto conforme a severidade do ambiente, mantém ficha de entrega assinada e registra o número do CA — documentação exigida em auditoria e em ação trabalhista.
Higienização, conservação e armazenamento do calçado de EPI
A NR-6 responsabiliza o empregador pela higienização e manutenção do EPI, e o cuidado correto prolonga a vida útil sem comprometer a certificação. A rotina muda conforme o material do cabedal e do solado.
- Couro hidrofugado: limpe com pano úmido e seque à sombra; evite fonte direta de calor, que resseca e trinca o cabedal.
- PVC/borracha: lavável com água e detergente neutro — vantagem em frigorífico e alimentício, onde a higiene é diária.
- Faça rodízio de pares em ambiente úmido, para o calçado secar por dentro e reduzir a proliferação de fungos.
- Não seque em estufa, ao sol forte ou sobre aquecedor; o solado de PU e a colagem se degradam com o calor.
- Armazene em local ventilado e troque a palmilha de conforto quando saturar, sem remover a palmilha antiperfuro (P).
O que só a Soluções Industriais entrega neste nicho
O diferencial da plataforma neste nicho é o acesso comparativo a fornecedores verificados, com indicação de quem atende a sua região e em que prazo. Os números abaixo vêm do próprio marketplace:
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| Cobertura por praça | Fornecedores |
|---|---|
| Nacional | 2 |
| SP | 1 |
| AC / AP / AM / PA | 1 |
Perguntas frequentes
Toda bota de segurança precisa de CA?
Sim. A NR-6 exige que todo EPI, inclusive calçado de segurança, tenha Certificado de Aprovação (CA) válido do Ministério do Trabalho impresso no produto. Bota sem CA ou com CA vencido não é EPI legal e não protege o empregador em fiscalização.
Qual a diferença entre S1, S2 e S3?
As classes da NBR ISO 20345 acumulam requisitos: S1 tem biqueira, antiestático e absorção no salto; S2 acrescenta resistência à água no cabedal (WRU); S3 soma palmilha antiperfuro e solado com relevo. S3 é o padrão para construção e ambiente severo.
Biqueira de aço ou de composite: qual é melhor?
Ambas resistem a impacto de 200 J. O aço é mais barato e resistente à abrasão, mas pesa mais e apita em detector de metal. O composite é mais leve, não metálico e isolante térmico — melhor para câmara fria, eletricista e áreas com portal de detecção, custando de 15% a 40% mais.
O que é proteção metatarsal (M) e quando exigir?
É o reforço sobre o peito do pé, marcado com a letra M, que protege a região dos metatarsos contra queda de peça pesada. Deve ser exigido em fundição, siderurgia e movimentação de cargas — situações em que a biqueira sozinha não cobre o dorso do pé. A necessidade deve constar do laudo do PGR.
Qual bota usar em frigorífico?
Em frigoríficos e abate, regidos pela NR-36, o usual é a botina branca de PVC ou borracha, impermeável, lavável e com antiderrapância SRC para piso molhado e gorduroso. Em câmara fria, avalie ainda a marcação CI (isolamento ao frio). Deve ter CA e classe compatível com o risco do posto.
O que significa a marcação HRO na sola?
HRO indica solado resistente ao calor por contato, ensaiado pela NBR ISO 20344 a 300 °C por 60 segundos. É a marcação exigida em fundição, solda e siderurgia, onde o solado de PU comum amoleceria por volta de 60 °C.
Como saber a antiderrapância correta?
As siglas SRA (piso cerâmico com detergente), SRB (aço com glicerol) e SRC (as duas condições) medem o escorregamento. Para cozinha, laticínio e áreas oleosas exija SRC, que cobre o pior cenário de piso escorregadio.
Quanto tempo dura uma bota de segurança?
A vida útil depende do desgaste, não do prazo do CA. Solado com relevo apagado, biqueira exposta, cabedal rasgado ou palmilha comprometida obrigam troca imediata. Em ambientes severos, o comum é planejar reposição anual por posto, fazer rodízio de pares e registrar cada entrega em ficha de EPI.
Existe bota para eletricista?
Sim. O eletricista precisa de calçado dielétrico com biqueira não metálica e CA específico de isolação elétrica, alinhado à NR-10. Não confunda com o antiestático (propriedade A), que apenas dissipa carga e não isola o usuário da rede.
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Página revisada pela equipe técnica de EPI e Segurança do Trabalho da Soluções Industriais. Última revisão: 13 de julho de 2026. Conteúdo elaborado com base nas normas técnicas brasileiras vigentes e em referências de fabricantes homologados no marketplace.
Soluções Industriais — marketplace B2B ativo desde 2014, com mais de 50 mil fornecedores, 250 mil produtos e 3 milhões de negócios intermediados. Operado por DSW Soluções Digitais LTDA, CNPJ 14.777.835/0001-67.
Fontes técnicas citadas: ABNT NBR ISO 20345:2022, ABNT NBR ISO 20347, ABNT NBR ISO 20344, NR-6, NR-01, NR-10, NR-18, NR-36.